A Polícia de Segurança Pública de Viseu tem na sua posse três pistolas e uma caçadeira recebidas desde Agosto ao abrigo da campanha de entrega voluntária lançada no seguimento da nova Lei das Armas.
O comandante desta força de segurança, intendente Azevedo Ramos, explicou ao nosso Jornal não estar muito surpreendido com estes números e apontou como uma das razões a falta de conhecimento por parte das pessoas desta iniciativa e "o velho hábito dos portugueses de deixarem tudo para a última", lembrando que a campanha termina no dia 24 de Dezembro.
"Acredito que as pessoas vão aproveitar o facto de não sofrerem qualquer tipo de sanção para entregarem mais armas que se encontram em situação ilegal, mas não estou à espero de qualquer aumento exponencial dos actuais números", admitiu, acrescentando que "há pessoas que não entregaram nada e nem têm intenções de o fazer".
"Na maior parte dos casos em que as pessoas trazem armas à GNR ou PSP, trata-se de pistolas ou caçadeiras cujos donos já faleceram e que estavam esquecidas num armário ou gaveta", referiu Azevedo Ramos, dando como exemplo pelo menos duas das pistolas (adaptadas) já na posse das autoridades viseenses. "Outro senhor entregou uma caçadeira e manifestou de imediato a vontade de a legalizar", explicou.
No que diz respeito ao local onde foram entregues, disse que foram encaminhadas pelos postos da GNR de S. João da Pesqueira, Torredeita e Carregal do Sal.
Evitar crimes
Este responsável sublinhou que acredita que há crimes que envolvem armas que podem ser evitados com esta recolha, porque "são de oportunidade", lembrando que as pessoas tendem a reagir "a quente" , por exemplo, numa discussão mais acesa, usando pistolas ou caçadeiras que têm em casa e das quais só se lembram nessa altura.
Questionado sobre o destino das armas recolhidas, o comandante da PSP adiantou que as caçadeiras, por exemplo, serão leiloadas, enquanto que as "shotgun" e pistolas de calibre 7,65 e 9 mm poderão ser utilizadas pelas forças de segurança.
Quanto às armas adaptadas - normalmente trata-se de pistolas de gás ou alarme de calibre 8 mm - estas são destruídas devido ao perigo que representam.
"O que dizemos é que este tipo de pistolas é perigoso para duas pessoas, a vítima e o agressor", sublinhou Azevedo Ramos.
Lei tinha de ser alterada
Na opinião deste responsável, as pessoas talvez ainda não se aperceberam da oportunidade que têm, já que a actual Lei das Armas "é muito apertada", reconhecendo que esta era necessária.
A lei em vigor era de 1949 e estava ultrapassada em diversos aspectos, como por exemplo no que diz respeito às munições.
Diário Regional